Quase todos os amantes de filmes e de literatura de suspense gostariam pelo menos uma vez na vida de terem privado com um agente da CIA ou qualquer outro membro participante de uma organização de serviços secretos, não ?
Finalmente, tive a minha oportunidade, mas como prestadora de serviços de guia-intérprete no meu país não pude abusar do meu tempo limitado a questões ao cliente, mas D foi a agente mais "sui generis" que já alguma vez imaginei poder existir nesse meio.
D de estatura alta e fina poderia passar por um homem quando usava a sua longa gabardina e o seu chapéu onde enrolava o longo cabelo negro para cuidadosamente o proteger da chuva miudinha.
Distraída, passo largo e descuidado e constantemente a metralhar instantes com a sua Nikon profissional, D faz parte de um grupo de viajantes que trabalha com a National Geographic .
Enquanto lhe falava da praia do Restelo e da placa tectónica sob Lisboa , D sorria e perguntava se normalmente se viam submarinos no Tejo. Eu sorria e respondia-lhe que desde a "neutralidade" politica portuguesa durante a II G.G.M. tínhamos começado a avistá-los ao longo da costa portuguesa e também no Tejo e desde então, até tínhamos investido recentemente na compra de mais alguns , pois na altura da visita dos primeiros submarinos alemães e americanos ainda não tínhamos nenhuns ; e ficámos sempre com a ideia de poder investir nessas embarcações tão importantes para o desenvolvimento cientifico...
O gelo quebrou-se com a gargalhada de ambas e a proposta seguinte foi o pastel mais famoso de Portugal, o de Belém.
Quando lhe contei que os monges que anteriormente tinham vivido no mosteiro dos Jerónimos se tinham dedicado ao fabrico destes famosos pastéis, D concordou que a melhor aptidão dos monges era sem dúvida a doçaria.
E foi durante esse momento gourmet que D confessou o seu estatuto civil de reformada, embora com 50 anos , mas por ter sido agente da CIA que como a variante de stress na sua vida profissional lhe valeu uma reforma antecipada.
Foi aqui que entrou um dos meus actores favoritos em cena : John Cleese - aparentemente a CIA vai buscar os personagens mais díspares para organizarem formações de pessoal onde entre muitos outros citados foi : um dos membros dos Monty Pythons.
Dedicou-se á cultura vinícola e sobretudo á produção de um vinho pelo qual se apaixonou - o Alvarinho ! E decidiu voltar a Portugal para rever o país de onde é original uma das suas várias paixões.
Deliciei-me com as várias histórias de D enquanto nos dirigíamos para Tomar para visitar a sede dos Templários de quem, surpreendentemente, D nunca tinha ouvido falar.
E como quem conta um conto ... pode acrescentar mais outro conto, ensinei-lhe que aqui em Portugal a sexta-feira 13 não é dia de azar, pois o nosso rei D.Dinis não ordenou a crueldade vinda de Avignon para erradicarem da Europa essa distinta ordem dos Templários que para além de serem nobres e sábios, também emprestavam dinheiro.
- Jesus!!!! - Disse D.
Acho que percebeu tudo!
E despedindo-se de mim á maneira portuguesa , entregou-me uma folha de papel na qual tinha vindo a rabiscar durante o percurso até Tomar.
Juro que não posei para ela , mas não é por acaso que D foi agente da CIA.
domingo, 29 de abril de 2012
sábado, 10 de março de 2012
Uma paz inventada
Olho para o meu jasmim em flor na varanda
Olhando o rio,
Azul, no seu esplendor;
E o branco inebriante do cheiro de memória do jasmim
atrás da tua orelha
nas ruas de Tunis;
De mãos dadas e de promessas nunca feitas.
Este cheiro a Primavera de sentidos e a esperança de amor...
Um dia andarei de mãos dadas contigo nas ruas de Cartago
entre este doce cheiro de jasmim e o denso azul mediterranico
sem que saibas que afinal,
era comigo que ias entrar no labirinto da vida com sabor a jasmim .
Afinal, nunca demos as mãos como dão os amantes e nunca fizemos promessas como ditam os corações.
Mas também, nunca estivemos em Tunis.
Por vezes, questiono-me se te conheço, realmente...
Mas, o jasmim relembra-me o cheiro que usavas atrás da orelha nas ruas de Cartago
e consigo sentir o calor das tuas mãos cujo suor se confundia com o Mediterraneo;
e este azul do Tejo ...quando fecho os olhos é igualmente ofuscante e calmo.
Que te posso dizer , senão, que não me lembro do teu sorriso nem da cor dos teus olhos ?
E desespero ainda mais quando me lembro do teu corpo envolto no meu como uma imagem emoldurada , mas já não sinto nada.
Os sentidos perderam a memória e só o jasmim trouxe algum devaneio sem rosto,
sem corpo
e sem identidade.
Uma paz de uma memória inventada, desejada e possivelmente
Uma paz criada para poder ficar em paz.
Olhando o rio,
Azul, no seu esplendor;
E o branco inebriante do cheiro de memória do jasmim
atrás da tua orelha
nas ruas de Tunis;
De mãos dadas e de promessas nunca feitas.
Este cheiro a Primavera de sentidos e a esperança de amor...
Um dia andarei de mãos dadas contigo nas ruas de Cartago
entre este doce cheiro de jasmim e o denso azul mediterranico
sem que saibas que afinal,
era comigo que ias entrar no labirinto da vida com sabor a jasmim .
Afinal, nunca demos as mãos como dão os amantes e nunca fizemos promessas como ditam os corações.
Mas também, nunca estivemos em Tunis.
Por vezes, questiono-me se te conheço, realmente...
Mas, o jasmim relembra-me o cheiro que usavas atrás da orelha nas ruas de Cartago
e consigo sentir o calor das tuas mãos cujo suor se confundia com o Mediterraneo;
e este azul do Tejo ...quando fecho os olhos é igualmente ofuscante e calmo.
Que te posso dizer , senão, que não me lembro do teu sorriso nem da cor dos teus olhos ?
E desespero ainda mais quando me lembro do teu corpo envolto no meu como uma imagem emoldurada , mas já não sinto nada.
Os sentidos perderam a memória e só o jasmim trouxe algum devaneio sem rosto,
sem corpo
e sem identidade.
Uma paz de uma memória inventada, desejada e possivelmente
Uma paz criada para poder ficar em paz.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Sarando...sem querer
Tenho uma tristeza latente
que me decompõe a alma que abraço com tanto trupor.
Tenho memórias de mim como queria ser,
como pensava que conseguiria amar sem amarras.
Afinal, sem ter mestria nas emoções e
como num acidente do qual permaneço refém ,
lambo as feridas que tento sarar;
e a cada gota de sangue vejo o teu rosto, ainda....
que me dá náuseas e vontade de te agarrar.
Contradições , maldições e tantas outras confusões
que seriam simplesmente um vento do norte,
não fosses, estar tu, tão próximo e tão longe...
que me decompõe a alma que abraço com tanto trupor.
Tenho memórias de mim como queria ser,
como pensava que conseguiria amar sem amarras.
Afinal, sem ter mestria nas emoções e
como num acidente do qual permaneço refém ,
lambo as feridas que tento sarar;
e a cada gota de sangue vejo o teu rosto, ainda....
que me dá náuseas e vontade de te agarrar.
Contradições , maldições e tantas outras confusões
que seriam simplesmente um vento do norte,
não fosses, estar tu, tão próximo e tão longe...
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Era uma vez o Ocidente....
Algo que tenho que partilhar convosco e sendo hoje, uma sexta-feira, 13...vamos poupar mais umas cabeças !
Traduzi do francês, um artigo do jornal alemão Stern de Hamburgo que achei curioso, vindo de quem vem..... :
" Há cinco anos atrás o mundo parecia ser ainda o que julgavamos ser. Na cimeira dos G8 (organizada pela Alemanha em Junho 2007 nas margens do mar Baltico) em Heiligendamm, os chefes do Estado americano , japonês , alemão , francês , britânico, italiano , canadiano e russo reuniam-se para se concertar a ordem do mundo. Mostravam-se em sofás de vime, emitiam um comunicado e prometiam fundos a Àfrica. Uma legião de jornalistas, de manifestantes e de policias rodopiavam á volta destes. Nada deixava parecer que esta cimeira assinava o fim de uma época.
No Outono do ano seguinte, o desmoronamento da banca Lehman Brothers marcava o inicio da crise financeira que dissipou milhares de dolares pelo mundo, mas que sobretudo acelarou prodigiosamente uma tendência já sensivel : o declinio do Ocidente e a subida em peso do resto do mundo. Doravante, desde que os grandes chefes de Estado se concertem, já não são sete ou oito, mas mais de vinte como em Cannes em Novembro de 2011. E já não são as potências europeias e os Estados-Unidos que dão a lição á Àsia ou á América Latina, mas o inverso. A China preocupa-se com a dívida Americana, a presidente brasileira ( Dilma Rousseff) exige da Europa que esta mostre a sua " vontade politica", o governo da banca central indiana (Duvvuri Subbarao) pede-lhe que tome decisões dificeis, e mesmo a Africa do Sul pergunta-lhe mesmo se não deveria comprar obrigações europeias para apoiar o Velho Continente.
A ascenção da Europa começou no sec. XV, mas é só com a revolução industrial, no incio do sec XX que ela acelarou. Até então os centros do mundo eram noutro lado : por volta do ano mil, os cientistas árabes estavam muito avançados em relação aos do Norte.
A China tem cidades com mais de 1 mlhão de habitantes desde o sec.IX. Há mais de um meio seculo antes de Cristovão Colombo, o almirante Zheng He explorava as costas de Àfrica e da Península Arábica e face á sua frota impunente, as caravelas* do nosso explorador genovês daria ares de débeis esquivos .
A racionalização do pensamento que caracterizou as Luzes foi determinante para a ascenção da Europa : as gerações futuras não deveriam gozar de uma melhor existência pela graça divina, mas graça ás novas ideias que se tinham imposto. Quando em 1897 , a rainha Victória celebrou o seu jubileu de diamante ( 60º aniversário do seu reinado), ela tinha um quarto da população mundial entre os seus subditos. No sec. XX, os Estados-Unidos tornaram.se a primeira potência do mundo e a hegemonia mundial permaneceu ocidental.
Para nós, esta ordem do mundo é quase uma lei da natureza. É quase a conclusão da história da humanidade: á estação vertical e á domesticação do fogo, secederam-se o desenvolvimento da escritura, o dominio das forças da natureza, a ruína das ideologias totalitárias. E uma sociedade democrática formou-se ,que certamente sofreu contrariedades, mas que possui um poder de atração que mais nenhum modelo a pode suplantar. No incio dos anos 90, na euforia da victória sobre o campo comunista, o filósofo (americano de origem japonesa) Francis Fukuyama, fantasiava mesmo sobre o " fim da história". Cada filial de McDonalds que abria na China ou na Russia pareciam ser a prova.
E, no entanto, se é uma verdade banal, a história não acaba. A era ocidental chega ao final. Os países "emergentes" contribuem já tanto para a produção mundial como os G7. E vão-nos brevemente suplantar. A China é , na história, o primeiro país a indicar taxas de crescimento tão elevadas durante tantos anos a fio. Em 2027, ou mesmo antes, poderá vir a ser a primeira potência económica mundial.
A ascenção da China representa un desafio ideológico para o ocidente. A noção de " modernidade" já não é automaticamente associada aos valores como a liberdade de opinião. Pequim mostra que o triunfo económico não leva necessariamente a um reforço da democracia. Este modelo inquieta-nos - em África muitos Estados estão seriamente tentados a acertar o passo com os chineses , mais do que continuarem a deixar o Ocidente dar a sua lição sobre a questão dos direitos do homem.
O que há a dizer para nós , ocidentais?
Nós cremos que a nossa visão do mundo é absoluta , intemporal. Nós consideramos a tolerância, por exemplo, como uma invenção ocidental dos tempos modernos, então que na Época Medieval os muçulmanos que dominavam a península Ibérica autorisavam a liberdade de culto, mais do que os seus vizinhos cristãos. A sombra que fazemos obscurece a nossa visão do futuro. Escutamos as informações internacionais na Deutschlandfunk ( radio publica alemã) ou na BBC e igoramos que em vastas regiões do mundo os canais Al-Jazira, NDTV (sediada em Nova-Deli) e CCTV ( em Pequim) dão o tom. Cremos que a ordem ocidental é a mais justa - e não nos questionamos se não será preferível que a China, que representa 20% da população mundial, domine o mundo em vez dos Estados-Unidos.
""É um paradoxo, escreve o historiador Paul Cohen. Os Ocidentais, que mais do que alguém contribuiram na criação do mundo moderno são exactamente os mesmos a não o compreenderem.""
Um dia, acordaremos e apercebere-mo-nos que o mundo se transformou noutro. Até lá podemos ainda manter os olhos fechados algum tempo. Ou podemos nos preparar.
Marc Goergen
* individamente utilizado como embarcação genovesa...talvez na pretenção de dar um valor de supremacia na navegação, normalmente atribuida aos portugueses :-)
Traduzi do francês, um artigo do jornal alemão Stern de Hamburgo que achei curioso, vindo de quem vem..... :
" Há cinco anos atrás o mundo parecia ser ainda o que julgavamos ser. Na cimeira dos G8 (organizada pela Alemanha em Junho 2007 nas margens do mar Baltico) em Heiligendamm, os chefes do Estado americano , japonês , alemão , francês , britânico, italiano , canadiano e russo reuniam-se para se concertar a ordem do mundo. Mostravam-se em sofás de vime, emitiam um comunicado e prometiam fundos a Àfrica. Uma legião de jornalistas, de manifestantes e de policias rodopiavam á volta destes. Nada deixava parecer que esta cimeira assinava o fim de uma época.No Outono do ano seguinte, o desmoronamento da banca Lehman Brothers marcava o inicio da crise financeira que dissipou milhares de dolares pelo mundo, mas que sobretudo acelarou prodigiosamente uma tendência já sensivel : o declinio do Ocidente e a subida em peso do resto do mundo. Doravante, desde que os grandes chefes de Estado se concertem, já não são sete ou oito, mas mais de vinte como em Cannes em Novembro de 2011. E já não são as potências europeias e os Estados-Unidos que dão a lição á Àsia ou á América Latina, mas o inverso. A China preocupa-se com a dívida Americana, a presidente brasileira ( Dilma Rousseff) exige da Europa que esta mostre a sua " vontade politica", o governo da banca central indiana (Duvvuri Subbarao) pede-lhe que tome decisões dificeis, e mesmo a Africa do Sul pergunta-lhe mesmo se não deveria comprar obrigações europeias para apoiar o Velho Continente.
A ascenção da Europa começou no sec. XV, mas é só com a revolução industrial, no incio do sec XX que ela acelarou. Até então os centros do mundo eram noutro lado : por volta do ano mil, os cientistas árabes estavam muito avançados em relação aos do Norte.
A China tem cidades com mais de 1 mlhão de habitantes desde o sec.IX. Há mais de um meio seculo antes de Cristovão Colombo, o almirante Zheng He explorava as costas de Àfrica e da Península Arábica e face á sua frota impunente, as caravelas* do nosso explorador genovês daria ares de débeis esquivos .
A racionalização do pensamento que caracterizou as Luzes foi determinante para a ascenção da Europa : as gerações futuras não deveriam gozar de uma melhor existência pela graça divina, mas graça ás novas ideias que se tinham imposto. Quando em 1897 , a rainha Victória celebrou o seu jubileu de diamante ( 60º aniversário do seu reinado), ela tinha um quarto da população mundial entre os seus subditos. No sec. XX, os Estados-Unidos tornaram.se a primeira potência do mundo e a hegemonia mundial permaneceu ocidental.
Para nós, esta ordem do mundo é quase uma lei da natureza. É quase a conclusão da história da humanidade: á estação vertical e á domesticação do fogo, secederam-se o desenvolvimento da escritura, o dominio das forças da natureza, a ruína das ideologias totalitárias. E uma sociedade democrática formou-se ,que certamente sofreu contrariedades, mas que possui um poder de atração que mais nenhum modelo a pode suplantar. No incio dos anos 90, na euforia da victória sobre o campo comunista, o filósofo (americano de origem japonesa) Francis Fukuyama, fantasiava mesmo sobre o " fim da história". Cada filial de McDonalds que abria na China ou na Russia pareciam ser a prova.
E, no entanto, se é uma verdade banal, a história não acaba. A era ocidental chega ao final. Os países "emergentes" contribuem já tanto para a produção mundial como os G7. E vão-nos brevemente suplantar. A China é , na história, o primeiro país a indicar taxas de crescimento tão elevadas durante tantos anos a fio. Em 2027, ou mesmo antes, poderá vir a ser a primeira potência económica mundial.
A ascenção da China representa un desafio ideológico para o ocidente. A noção de " modernidade" já não é automaticamente associada aos valores como a liberdade de opinião. Pequim mostra que o triunfo económico não leva necessariamente a um reforço da democracia. Este modelo inquieta-nos - em África muitos Estados estão seriamente tentados a acertar o passo com os chineses , mais do que continuarem a deixar o Ocidente dar a sua lição sobre a questão dos direitos do homem.
O que há a dizer para nós , ocidentais?
Nós cremos que a nossa visão do mundo é absoluta , intemporal. Nós consideramos a tolerância, por exemplo, como uma invenção ocidental dos tempos modernos, então que na Época Medieval os muçulmanos que dominavam a península Ibérica autorisavam a liberdade de culto, mais do que os seus vizinhos cristãos. A sombra que fazemos obscurece a nossa visão do futuro. Escutamos as informações internacionais na Deutschlandfunk ( radio publica alemã) ou na BBC e igoramos que em vastas regiões do mundo os canais Al-Jazira, NDTV (sediada em Nova-Deli) e CCTV ( em Pequim) dão o tom. Cremos que a ordem ocidental é a mais justa - e não nos questionamos se não será preferível que a China, que representa 20% da população mundial, domine o mundo em vez dos Estados-Unidos.
""É um paradoxo, escreve o historiador Paul Cohen. Os Ocidentais, que mais do que alguém contribuiram na criação do mundo moderno são exactamente os mesmos a não o compreenderem.""
Um dia, acordaremos e apercebere-mo-nos que o mundo se transformou noutro. Até lá podemos ainda manter os olhos fechados algum tempo. Ou podemos nos preparar.
Marc Goergen
* individamente utilizado como embarcação genovesa...talvez na pretenção de dar um valor de supremacia na navegação, normalmente atribuida aos portugueses :-)
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Com bisturi e au naturel...
Nada como acabar o ano velho e começar o novo ano com aqueles que sabemos que vamos gostar de continuar a partilhar tudo o que nos é mais caro.
Despedi-me do 2011 com uma viagem inesquecível a Paris na companhia querida das Filipas e da Sofia, mas também no meu novo universo emocional que agora está tão ligado a terras francas...mon cher Y.
E comecei o 2012 com as histórias do Carlos que tanto me atiçaram a vontade de continuar a viajar e a conhecer outros portos e outras gentes.
E dei por mim a filosofar sobre o propósito da passagem do ser humano pela terra que não que para o seu próprio beneficio e também qual a ordem de prioridades a ter quando se quer imperitrivelmente conhecer , amar e produzir.
A minha primeira viagem deste ano foi até á Normandia e a algumas das suas várias cidades e vilas piscatórias que ao avançar dos anos do séc.XX se transformaram em estações balneárias de algum renome e onde uma ou duas famílias , agora, mostram a sua influência através dos casinos aí sediados.
Êtretat e o seu rochedo-agulha que tanto me aproximou de Pessoa á beira-mar ... e poiso de vários impressionistas que aí bebiam o horizonte para depois pintarem a morte das carcaças na praia.
A arquitectura Normanda que tem tanto de celta como o mar tem de Terra Nova pescada por Normandos;
Marguerite Duras que aí tanto escreveu e amou num apartamento sobre a longa praia do Norte;
E tanto ainda para voltar a ver ou a viver um dia mais tarde quando se delinear a rota dos sabores a preservar...
Já dentro do avião de volta a Lisboa, lia um artigo como muitos últimos que falam da China, mas este numa perspectiva singular e surpreendente de tão arrojada.
A conjectura sócio-profissional na China tem uma novidade que assegura imediatamente a carreira profissional das mulheres chinesas : a cirurgia plástica.
Desprovida das estatísticas sociais da China , fiquei a saber que neste país onde a procura de uma carreira é o mais importante na vida para uma mulher, o aspecto físico determina o acesso à mesma.
Várias empresas ligadas ao sector terciário e sobretudo financeiro reconfirmam na hora de uma entrevista , o perfil que uma jovem deve adquirir para ter chances de ser admitida para o cargo oferecido, relegando para secundário o desempenho e capacidade das suas futuras funções.
Estas jovens que poupam entre 10.000E a 40.000E para verem as suas carreiras asseguradas, gastam estas modicas quantias nas várias operações cirúrgicas que incluem: rinoplastias, modificação da forma do olhar, estiramento dos ossos das pernas , alongamento do queixo, aumento mamário,etc. Isto tudo para entrarem no mundo do trabalho, depois, logo se vê.
A arte da guerra faz-se, mas agora, de luvas e bisturi.
Onde houve exigência na essência, há agora rigor na forma.
Bem-vindos ao silly/con-valley.
E como viajar não é só moção...contínuo a ler para ver se não perco o fio á meada.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
What a race !!!
Just finished my last work before X-mas, exchanging experiences with an absolutely marvelous family that has enriched my personal and emotional evolution.
This was the second time I've read a text that I wrote long time ago for another group, but for different reasons.
Finally, this time I read it for the positive reasons : they've understood that race and identity have to be respected even if different and difficult to understand...they make part of all of us, for one never knows who has been making history in one's background.
Translated from French, the original text written for a group of "illuminated journalists " :
My Celtic ancestors taught me that nature is both the supreme art and religion on earth, therefore, my belief is Celtic.
My Roman ancestors taught me that one can get material prosperity by absorbing the experience and knowledge from further developed people, therefore, my curiosity is Roman.
My Arab ancestors taught me that ahead of math and education - passion - will always be the engine of a life in all its paths; therefore, my heart is Arab.
My Ottoman ancestors taught me that perseverance along with the ability of negotiating could drive one into free ports; therefore, my willing is Ottoman.
My African ancestors taught me that when one is abused by others that believe in their superiority, there will always be music and the cry of saudade to warm up one's soul ; therefore my soul is African.
My Persian ancestors taught me that when one usually travels through one's life , free from any weight, there will always be a garden underneath one's feet where paradise is ; then , I bought a Persian rug :-)
My Brazilian ancestors taught me that poorness can have kindness within it as true starvation can have a smile within it ; therefore my contentment is Brazilian.
My Indian ancestors taught me that every living being is worth respect and whatever goes around....comes around
; therefore i wish I could have a Buddhist karma.
My Chinese ancestors taught me that patience its one of the most important virtues to reach fulfillment; therefore, my smile is Chinese.
My Japanese ancestors taught me that cordiality it's a code to open all doors ; therefore, I bow.
My Portuguese ancestors taught me that without the others....we are nobody ; therefore, I'm humbly Portuguese.
This was the second time I've read a text that I wrote long time ago for another group, but for different reasons.
Finally, this time I read it for the positive reasons : they've understood that race and identity have to be respected even if different and difficult to understand...they make part of all of us, for one never knows who has been making history in one's background.
Translated from French, the original text written for a group of "illuminated journalists " :
My Celtic ancestors taught me that nature is both the supreme art and religion on earth, therefore, my belief is Celtic.
My Roman ancestors taught me that one can get material prosperity by absorbing the experience and knowledge from further developed people, therefore, my curiosity is Roman.
My Arab ancestors taught me that ahead of math and education - passion - will always be the engine of a life in all its paths; therefore, my heart is Arab.
My Ottoman ancestors taught me that perseverance along with the ability of negotiating could drive one into free ports; therefore, my willing is Ottoman.
My African ancestors taught me that when one is abused by others that believe in their superiority, there will always be music and the cry of saudade to warm up one's soul ; therefore my soul is African.
My Persian ancestors taught me that when one usually travels through one's life , free from any weight, there will always be a garden underneath one's feet where paradise is ; then , I bought a Persian rug :-)
My Brazilian ancestors taught me that poorness can have kindness within it as true starvation can have a smile within it ; therefore my contentment is Brazilian.
My Indian ancestors taught me that every living being is worth respect and whatever goes around....comes around
; therefore i wish I could have a Buddhist karma.
My Chinese ancestors taught me that patience its one of the most important virtues to reach fulfillment; therefore, my smile is Chinese.
My Japanese ancestors taught me that cordiality it's a code to open all doors ; therefore, I bow.
My Portuguese ancestors taught me that without the others....we are nobody ; therefore, I'm humbly Portuguese.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Os nossos encantos são no 5o andar
A festa do cinema francês já começou no passado fim de semana e para quem perdeu a apresentação do filme de Karim Dridi que conseguiu juntar o verdadeiro casal Marillon Coutillard et Guillaume Canet....não perderam muito. De facto foi por ter estes dois nomes no casting que fiz questão de ir em vez de ir descansar para casa.
E como as críticas negativas não valem após o filme ter sido comercializado....passemos ao filme que que foi uma óptima surpresa : " Les femmes du 6ème étage" traduzido para português como : " Os encantos do 6o andar", um título mais faccioso.
O casting não poderia ser mais ecléctico e apurado.Todas as personagens encarnam brilhantemente caracteres únicos que lhes dão uma animação e densidade psicológicas tão díspares quanto o universo do comportamento humano pode ser.
"Jean-Louis, é um corrector de bolsa rigoroso e bom pai de família . O típico burguês a chegar á meia-idade e a sentir-se encurralado na Paris dos anos 60. Até descobrir, por intermédio de Maria, a jovem empregada que lhe limpa a casa, as vizinhas do 6o andar".
E aqui abre-se-lhe uma porta para o mundo das sensações que Jean-Louis nunca tinha experimentado com a sua mulher ,estériotipo da mulher vazia , fria , calculista e sem interesses particulares a não ser manter uma fachada de boa mulher e mãe de filhos com quem não passa tempo nenhum. Enfim, descobre a vida aos 45 anos e mais não vou contar, pois não só é um filme que vai passar nas salas como as coisas boas é para irem sendo saboreadas em pequenas doses.
Um filme que me fez sorrir , rir e pensar no meu cher Bélier :-)
A não perder !
E como as críticas negativas não valem após o filme ter sido comercializado....passemos ao filme que que foi uma óptima surpresa : " Les femmes du 6ème étage" traduzido para português como : " Os encantos do 6o andar", um título mais faccioso.
O casting não poderia ser mais ecléctico e apurado.Todas as personagens encarnam brilhantemente caracteres únicos que lhes dão uma animação e densidade psicológicas tão díspares quanto o universo do comportamento humano pode ser.
"Jean-Louis, é um corrector de bolsa rigoroso e bom pai de família . O típico burguês a chegar á meia-idade e a sentir-se encurralado na Paris dos anos 60. Até descobrir, por intermédio de Maria, a jovem empregada que lhe limpa a casa, as vizinhas do 6o andar".
E aqui abre-se-lhe uma porta para o mundo das sensações que Jean-Louis nunca tinha experimentado com a sua mulher ,estériotipo da mulher vazia , fria , calculista e sem interesses particulares a não ser manter uma fachada de boa mulher e mãe de filhos com quem não passa tempo nenhum. Enfim, descobre a vida aos 45 anos e mais não vou contar, pois não só é um filme que vai passar nas salas como as coisas boas é para irem sendo saboreadas em pequenas doses.
Um filme que me fez sorrir , rir e pensar no meu cher Bélier :-)
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