quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Barcelona com Gracía

Há uma década que não ia a Barcelona como turista e desta vez tinha como missão apaixonar Frank pela cidade que me apaixonou desde a primeira vez que a visitei. Levei o guia para rever o que havia a rever a dois e como tínhamos uma semana para divagar pelas ruas e pelas noites - tão doces - deixei que o nosso ritmo também fosse dando o compasso.


 Gaudí ainda é o responsável por esta paixão antiga e Frank também se rendeu ao mestre do modernismo do séc XX.
As ruas estavam atoladas de turistas , não havia sossego em nenhum bairro; os melhores hóteis estavam cheios e Frank adorava ver o movimento de turistas que insistiam em fazer rolar os malões de viagem pelas ruas afora. Inicialmente perguntou-me onde é que toda essa gente ia com as malas a trás... seriam sem abrigo ?


Para um americano de Dallas esta modalidade de poupar dinheiro em táxis é surreal e insistia, um tanto descrente, em reafirmar que só poderia ser uma nova modalidade desportiva que num futuro próximo seria utilizada para competição nos jogos Olímpicos.
Pulámos para um autocarro de dois andares onde no topo a brisa do movimento compensava o calor que se sentia e seguimos a rota de Gaudí.
Este tinha sido só o primeiro dia que nos deu o gosto daquilo que não gostávamos -  MULTIDÕES !

Consegui convencer Frank que a melhor maneira de conhecer uma cidade é a pé e o resto dos dias fomos pouco a pouco passeando e errando nas ruas deixando o guia para trás e parando em cafés para refrescar e observar os outros.
O porto á noite contínua o centro de recreio de gente descontraída e de banhos para os mais exóticos . Aprazível paredão extenso onde de dia uns andam de patins ou de bicicleta e na praia cruzam-se nudistas desde o novo hotel W até ao primeiro pontão ; e á noite uns pedalam um estabelecimento de cerveja que se move enquanto beberricam Estellas anunciadas neste veículo tão original onde os consumidores de cerveja vão gastando as suas calorias pedalando e ingerindo mais líquido pelo exercício que os vai secando.



Fiquei com a certeza que não volto mais a Barcelona em pleno Estio e não fosse eu estar tão limitada com tempo, teríamos fugido para o Texas. 

Continuo com a sensação que Portugal não tem mais turistas por não haver divulgação nem marketing do nosso país, o que é realmente de lamentar num Portugal que precisa tanto de dinheiro.
Temos hóteis de uma qualidade superior que estão a 75% ;  restaurantes que deliciam turistas de qualquer nacionalidade ou estrato social; simpatia e acolhimento como em mais nenhum país do mundo ocidental  e praias dignas de um sonho de uma noite de verão. 
Senhores governantes , em vez de fingirem que se contêm na Manta Rota , comprem uma mísera passagem na Vueling para Barcelona que fica mais barata que as portagens na A2 e vejam com olhos de ver o que é fazer dinheiro num país tão bom quanto o nosso!


Ficam como boas experiências gastronómicas, os restaurantes: Barceloneta no port Vell junto á marina, o Botafumeiro em Eixample e o Rias de Galicia onde a nossa última noite foi premiada com a melhor aventura gastronómica da cidade e um serviço tão personalizado que me cria em casa.

And last ,but not the least....o meu companheiro de viagem que mais uma vez me presenteou com as suas histórias tão especiais e que o fazem tão especialmente apetecível.
E que Taleia que levámos !

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Traveling as one likes...





Anyone who opens an Atlas
 wants everything at once,without limits. - The whole world !
This longing will always be great
for greater than any satisfaction
to be attaining what is desired.


To Frank

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Frankly... to Frank !

Frank entrou pela minha vida adentro como se entra num Hall de hotel escuro e se procura alguma luz para poder admirar o inicio de uma estadia.
E, afinal , quem tinha luz nos olhos era mesmo ele. Só que não o sabia. Ofuscava-me  com a sua simplicidade e franqueza... dom, hoje em dia, em vias de extinção.

Muita gente, de muitas origens e de meios sociais díspares viajam pela minha vida , assim como me permitem viajar um pouco no mundo deles quando fazemos interlúdios culturais para sermos mais pessoais. A vida tem como um dos caminhos, a partilha. Nessa partilha pessoal de todo o nosso universo também absorvemos outros universos, alguns tão longínquos que achamos não poderem fazer parte do nosso universo...só por que nos é diferente e tão distante. O ser humano oferece mesmo resistência á mudança.

Lembro-me de ler Borges e pensar que era feliz por ter tido sempre uma curiosidade pessoal em tudo o que era diferente e também por me ter adaptado facilmente a vidas, culturas e países tão diferentes. E realmente foi verdade, enquanto andava nessa viagem de descobrimentos. Nunca pus como hipótese ,um dia escrever sobre como a experiência ao longo dos anos de uma vida pessoal rica pode mudar os parâmetros de comportamento , pois pensava que ia ser irresignada e rebelde para sempre e com causa .

Também nunca foi da minha natureza ou experiência de vida tentar classificar os comportamentos no foro de género humano : masculino/feminino. Embora sempre tivesse tido mais amigos que amigas, isso devia-se ao facto de haverem temas sociais/políticos que eram mais esclarecedores e pragmaticamente discutidos com homens .
No entanto, só mais tarde me fui apercebendo que a média do homem Português e devido á sua educação judaico/cristã e latina , é um homem que escolhe uma mulher com fins procriativos independentemente se consegue ter uma conversa ou intimidade dita decente/ aprazível com a mesma. Poucos querem a companhia da sua companheira para outras tarefas tidas como hobbies ou partilhas intelectuais, o que sempre me deixou triste por o constatar.

Frank apareceu despido de filtros educacionais ou sociais e provou-me para além do meu esquecimento que afinal podemos ser únicos, bons, espertos, francos e ainda guardarmos a criança que tantas vezes é esquecida debaixo de trapos e de carros topo de gama.
Feliz por teres espreitado e entrado na minha vida, Frank.
Eu olhei para a repleta vida dele e assustei-me com tanto poder , mas o seu brilhante olhar de criança foi o hall de entrada.
Let's play it right!


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Revisitando Mr. 5%

Hoje o meu percurso em trabalho levou-me a uma visita especial ao museu Calouste Gulbenkian. Cerca de 200 Arménios espalhados pelo mundo inteiro e chegados á gare marítima de Alcântara tinham como desejo visitar o museu que este sr. de origem Arménia deixou a Portugal após sua morte.

A história deste ilustre mecenas e coleccionador de arte é pouco conhecida no nosso país,mas também nos países por onde viveu : Inglaterra, França e Egipto.
Nascido na parte oriental de Istambul, Gulbenkian, oriundo de uma ilustre família Arménia que remonta ao séc.IV acabou os seus últimos dias em Lisboa onde o sabor a calma e plenitude lhe enalteceram a vontade de aqui deixar uma fundação com fins educacionais , filantrópos e científicos.

Desde muito cedo começou a coleccionar arte e é na sala dos medalhões de Aboukir e moedas gregas e romanas onde nos damos conta das suas primeiras peças de colecção.
 Porém, é na sala dedicada ao Egipto que nos deparamos com a selecção apurada e distinta dos artigos meticulosamente escolhidos por Howard Carter, egiptólogo responsável pela descoberta do túmulo fechado de Tutankamen e marchand de Gulbenkian.
Não é da exposição que vos quero falar, pois de tão ecléctica requere tempo e texto que não poderia dispor.
É da vida deste homem que seguindo os estudos de engenharia e ciências aplicadas foi o pioneiro nos projectos de extracção de petróleo no médio-oriente e também arquitecto financeiro para encontrar os parceiros mais correctos para assegurarem o financiamento deste projecto tão inovador no inicio do séc.XX.
Não só conseguiu a confiança de investidores como a Shell, Banco da Turquia e Deutsch Bank e British Petroleum, mas também com esta atitude conseguiu afastar o interesse algo obsessivo dos alemães em se estabelecerem a solo neste território que detinha então a maior reserva de petróleo do mundo.

Toda a sua biografia que é apaixonante pode ser agora lida graças a uma nova edição com prefácio do seu neto Michael Essayan.
E aqui fica um vídeo que poderá abrir o apetite para conhecerem um homem que tanto amou Lisboa e que tanto nos deixou ... pelo seu neto.



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Palavras e rostos

Tanto que gostaria de ter partilhado todas as experiências que tive nestes últimos dois meses em que nem abri o meu blogue...
Cada cliente, um mundo e cada mundo tão diferente do meu...
E cada história contada a cada um...cada reacção, uma reinvenção da história.
O tempo foi passando sem que pudesse estar com os amigos para partilhar o que mais há de belo nesta passagem consciente pela realidade.
E agora que tudo já parece longínquo,
Agora que me parece descabido contar o que me deu brilho àqueles dias em que estava privada da minha vida privada,
questiono-me:
Será que esta profissão em que tanto me envolvo não me rouba o que de mais tenho de precioso ?
Onde fica o tempo para os queridos ?
Serão ainda tão próximos se continuar tão distante ?
Repenso uma linha ténue entre o prazer de "guiar" e o aconchego da minha intimidade...
E ficam rostos e momentos ...que já fazem parte de um passado.
Amo-vos !



                                      Happy moments !!!!
































domingo, 6 de maio de 2012

Uma série de eventos pouco prováveis - II- Pug - de Mercúrio

Com a agente D aprendi que era importante fazer uma investigação linear do perfil dos clientes com quem vamos trabalhar por algum tempo , nem que seja um só dia.
 A inteligência emocional é cada vez mais necessária para a captação de atenção do cliente em relação ao que queremos que seja importante durante a sua visita e conhecendo um pouco do mundo do cliente poderemos partir á conquista dos seus interesses e introduzir a realidade portuguesa como parte de um deles.

Pug é uma raça canina conhecida pela sua aptidão algo teimosa de não largar a presa. De focinho achatado,  corpo maciço e pequeno , pode designar-se como um cão que pode dar alguns problemas se bem treinado.
O meu cliente, também assim cognominado, não tinha ar de ter dado ou vir a dar algum problema ; mas quem sou eu para saber julgar carácteres...

E, como logo no primeiro dia me apaixonei pelo facto deste senhor deter vastos conhecimentos  da nossa cultura e história, esqueci-me de sondar o seu nome no grande motor de busca da nossa era.


Ao terceiro dia por ainda não ter obtido nenhuma confirmação conclusiva da sua formação ou profissão, agarrei-me ao email da empresa que Pug oficiosamente me tinha cedido como sendo a sua para nos comunicarmos em viagem se necessário.
E mesmo para quem não é religiosa,exclamei :
- Jesus ! - claro está , influenciada pela proximidade com a agente D.


Após ter descoberto que o meu cliente tinha sido o responsável pelo golpe financeiro da Enron que ajudou nessa altura a empresa petrolífera de Bush... não sabia como é que o iria encarar no dia seguinte. Muitas outras coisas não tão melhores ficam por dizer ,mas todas elas vêem bem explicitas na página da International Corruption Org. e com a sua foto bem vísivel para que como sempre, eu não pudesse contornar este perfil sob pena de cair na tentação de pensar na possibilidade de existirem dois homens com o mesmo nome e assim , desresponsabilizá-lo.


A semana decorreu muito intensamente, pois acima de tudo, Pug é um homem-renascença , humanista e ex-reitor de Harvard - destituído aquando do escândalo financeiro que levou a Enron á falência.

A sua esposa, Dee, designada pelos norte americanos como tipo Alfa ( capacidades de leader e carácter dominador ) desvendava progressivamente um Pug generoso, justo e resignado ao ditado : "what goes around comes around ". 
Nas suas longas divagações sobre o grande Oriente não faltavam referências ao protocolo do governo a que se tiveram que sujeitar e que muito já diziam sobre a facção republicana. 

E foi com o Oriente que começámos a programar uma possível viagem a Kerala e a Burma.
Pug, ouvia e sabia que estava excluído destes planos futuros e são nestes momentos de cumplicidade e de partilha que os momentos ficam associados a histórias , lugares,  odores e sabores ; como nessa tarde de Abril na Foz do Porto com uma forte envolvente a iodo e a café onde discretamente tirei uma foto a um homem que não pensei vir a ter o mínimo de simpatia.

Os seus conhecimentos históricos eram vastíssimos e a sua neutralidade religiosa, embora judeu de origem, era admirável.
Pragmático e com sentido de humor, Pug fez-me uma pergunta que lhe valeu a minha admiração incondicional :
- No séc.15, assim como os portugueses andavam a delinear a costa Africana também andavam os chineses com as suas embarcações bem preparadas e com homens tão meticulosos em matemáticas como os árabes. A sorte dos portugueses foi essa dinastia chinesa não estar interessada em colonizar terra , senão que língua se falaria hoje em Portugal ?


Adoro reptos culturais para os quais as respostas são como a imaginação :  do tamanho do nosso universo !


domingo, 29 de abril de 2012

Uma série de eventos pouco prováveis - I - A Sra. de Marte

Quase todos os amantes de filmes e de literatura de suspense gostariam pelo menos uma vez na vida de terem privado com um agente da CIA ou qualquer outro membro participante de uma organização de serviços secretos, não ?
 Finalmente, tive a minha oportunidade, mas como prestadora de serviços de guia-intérprete no meu país não pude abusar do meu tempo limitado a questões ao cliente, mas D foi a agente mais "sui generis" que já alguma vez imaginei poder existir nesse meio.

 D de estatura alta e fina poderia passar por um homem quando usava a sua longa gabardina e o seu chapéu onde enrolava o longo cabelo negro para cuidadosamente o proteger da chuva miudinha.
Distraída, passo largo e descuidado e constantemente a metralhar instantes com a sua Nikon profissional, D faz parte de um grupo de viajantes que trabalha com a National Geographic .


Enquanto lhe falava da praia do Restelo e da placa tectónica sob Lisboa , D sorria e perguntava se normalmente se viam submarinos no Tejo. Eu sorria e respondia-lhe que desde a "neutralidade" politica portuguesa durante a II G.G.M. tínhamos começado a avistá-los ao longo da costa portuguesa e também no Tejo e desde então, até tínhamos investido recentemente na compra de mais alguns , pois na altura da visita dos primeiros submarinos alemães e americanos ainda não tínhamos nenhuns ; e ficámos sempre com a ideia de poder investir nessas embarcações tão importantes para o desenvolvimento cientifico...
O gelo quebrou-se com a gargalhada de ambas e a proposta seguinte foi o pastel mais famoso de Portugal, o de Belém.

Quando lhe contei que os monges que anteriormente tinham vivido no mosteiro dos Jerónimos se tinham dedicado ao fabrico destes famosos pastéis, D concordou que a melhor aptidão dos monges era sem dúvida a doçaria.
E foi durante esse momento gourmet que D confessou o seu estatuto civil de reformada, embora com 50 anos , mas por ter sido agente da CIA que como a variante de stress na sua vida profissional lhe valeu uma reforma antecipada.


Foi aqui que entrou um dos meus actores favoritos em cena : John Cleese - aparentemente a CIA vai buscar os personagens mais díspares para organizarem formações de pessoal onde  entre muitos outros citados foi :  um dos membros dos Monty Pythons.

Dedicou-se á cultura vinícola e sobretudo á produção de um vinho pelo qual se apaixonou - o Alvarinho ! E decidiu voltar a Portugal para rever o país de onde é original uma das suas várias paixões.


Deliciei-me com as várias histórias de D enquanto nos dirigíamos para Tomar para visitar a sede dos Templários  de quem, surpreendentemente, D nunca tinha ouvido falar.

E como quem conta um conto ... pode acrescentar mais outro conto, ensinei-lhe que aqui em Portugal a sexta-feira 13 não é dia de azar, pois o nosso rei D.Dinis não ordenou a crueldade vinda de Avignon para erradicarem da Europa essa distinta ordem dos Templários que para além de serem nobres e sábios, também emprestavam dinheiro.
- Jesus!!!! - Disse D.
Acho que percebeu tudo!

E despedindo-se de mim á maneira portuguesa , entregou-me uma folha de papel na qual tinha vindo a rabiscar durante o percurso até Tomar.
Juro que não posei para ela , mas não é por acaso que D foi agente da CIA.