segunda-feira, 22 de julho de 2013
Ondulando entre mar e amor
Cheira a descontração, mesmo que haja contração económica, social e intelectual dos chamados governantes deste país.
Os turistas espantam-se com o potencial deste paraíso escondido no fim da Europa e insistem em que temos que soltar ao vento as boas coisas que não queremos vender...
Retenho o meu comentário e finalmente concordo que estas praias infinitamente onduladas de dunas e de escarpas cor de ferro são mais agradáveis como estão...quase abandonadas ás delícias da solidão de quem se queira entregar á beleza da briza salgada colada aos rostos de felicidade de gostar da simplicidade do sentir.
Sem toque ,não poderia sentir a amalgama do teu corpo
á deriva
entre a corrente marítima e os meus braços;
Oiço a tua respiração que se confunde com o ondular desenrolado nos nossos pés;
Sinto a tua boca salgada , mas não sei se bebo o mar
ou se são ambos a minha sede de perdição;
Emaranhado nos meus cabelos sinto os teus dedos de odor a nós, após o amor.
E Vejo-te sempre que olho este mar
infinitamente com a cor dos teus olhos
espelhando o que de melhor trago para te oferecer.
Aqui na areia seca deambulo sobre tudo isto que te dou sem reservas:
o mundo pintado de azul do céu á terra
passando pela ténue linha do horizonte
onde permanece a nossa linha por decifrar.
terça-feira, 16 de julho de 2013
Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma. És em ti a ilusão de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.
Pablo Neruda, in "Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada
Esta deveria ser a canção saída da tua boca ... de manhã, de vez em quando, ao despertar ...quando me procuras instintivamente no teu corpo.
domingo, 14 de julho de 2013
Alguém parte uma laranja em silêncio, à entrada
de noites fabulosas.
Mergulha os polegares até onde a laranja
pensa velozmente, e se desenvolve, e aniquila, e depois
renasce. Alguém descasca uma pêra, come um bago de uva, devota-se
aos frutos. E eu faço uma canção arguta
para entender.
Inclino-me para as mãos ocupadas, as bocas,
as línguas que devoram pela atenção dentro.
Eu queria saber como se acrescenta assim
a fábula das noites. Como o silêncio
se engrandece, ou se transforma com as coisas. Escrevo
uma canção para ser inteligente dos frutos
na língua, por canais subtis, até
uma emoção escura.
Porque o amor também recolhe as cascas
e o mover dos dedos
e a supensão da boca sobre o gosto
confuso. Também o amor se coloca às portas
das noites ferozes
e procura entender como elas imaginam seu
poder estrangeiro.
Aniquilar os frutos para saber, contra
a paixão do gosto, que a terra trabalha a sua
solidão - é devotar-se,
esgotar a amada, para ver como o amor
trabalha na sua loucura.
Uma canção de agora dirá que as noites
esmagam
o coração. Dirá que o amor aproxima
a eternidade, ou que o gosto
revela os ritmos diuturnos, os segredos
da escuridão.
Porque é com nomes que alguém sabe
onde estar um corpo
por uma ideia, onde um pensamento
faz a vez da língua.
- É com as vozes que o silêncio ganha.
Herberto Helder in Ou o poema contínuo
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Vem viver comigo, sê o meu amor E alguns novos prazeres provaremos
De areias douradas e regatos de cristal
Com linhas de seda e anzóis de prata.
Aí o rio correrá murmurando, aquecido
Mais por teus olhos do que pelo sol;
E aí os peixes enamorados ficarão
Suplicando a si próprios poder trair.
Quando tu nadares nesse banho de vida
Cada peixe, dos que todos os canais possuem,
Nadará amorosamente para ti,
Mais feliz por te apanhar, que tu a ele.
Deixa que outros gelem com canas de pesca
E cortem as suas pernas em conchas e algas;
Ou traiçoeiramente cerquem os pobres peixes
Com engodos sufocantes, ou redes de calado.
Deixa que rudes e ousadas mãos, do ninho limoso
Arranquem os cardumes acamados em baixios;
Ou que traidores curiosos, com moscas de seda
Enfeiticem os olhos perdidos dos pobres peixes,
Porque tu não precisas de tais enganos,
Pois que tu própria és a tua própria isca,
E o peixe que não seja por ti apanhado,
Ah!, é muito mais sensato do que eu.
John Donne, in "Poemas Eróticos"
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Missiva tecida em lã de Carneiro
" Somos seres que conhecem, querem e amam, e a partir do momento em que damos atenção aos objectos do conhecimento, da vontade e do amor, reconhecemos com evidência que não existe nenhum que não seja impossível. Apenas a ilusão pode ocultar esta evidência. A consciência desta impossibilidade obriga-nos a desejar continuamente prender o que não se pode prender através de tudo o que desejamos, conhecemos e queremos.
Quando qualquer coisa parece impossível de obter, seja qual for o esforço que façamos, isso indica um limite intransponível a esse nível e a necessidade de uma mudança de nível, de uma ruptura do tecto. Consumir-se em esforços a esse nível degrada. Mais vale aceitar o limite, contemplá-lo e saborear-lhe a amargura."
Simone Weil
Evitando o mal, evita-se a desilusão.
Evitar-te vai ser a minha constante:
MOI
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Dedicatória ao Francisco ...
" A extrema infelicidade que se apodera dos seres humanos não cria a desgraça humana, apenas a revela.
O pecado e os encantos da força. Pelo facto de a alma não saber reconhecer e aceitar a desgraça humana, acreditamos que existe diferença entre os seres humanos, e por isso faltamos á justiça, seja porque estabelecemos uma diferença entre nós e os outros, seja porque preferimos certas pessoas a outras.
Tal decorre do facto de não sabermos que a desgraça humana é uma quantidade constante e irredutível, tão grande quanto, em cada homem , pode ser, e que essa grandeza vem de um único Deus, de modo que existe semelhança entre um e outro homem ".
Simone weil
Esta é uma dedicatória a alguém que pretende ser crente e temer a Deus ...mas que no fundo só aparenta ser, não crê nem teme a Deus.
Por todos os exemplos que conheço como este, não quero fazer parte da carneirada....
O pecado e os encantos da força. Pelo facto de a alma não saber reconhecer e aceitar a desgraça humana, acreditamos que existe diferença entre os seres humanos, e por isso faltamos á justiça, seja porque estabelecemos uma diferença entre nós e os outros, seja porque preferimos certas pessoas a outras.
Tal decorre do facto de não sabermos que a desgraça humana é uma quantidade constante e irredutível, tão grande quanto, em cada homem , pode ser, e que essa grandeza vem de um único Deus, de modo que existe semelhança entre um e outro homem ".
Simone weil
Esta é uma dedicatória a alguém que pretende ser crente e temer a Deus ...mas que no fundo só aparenta ser, não crê nem teme a Deus.
Por todos os exemplos que conheço como este, não quero fazer parte da carneirada....
sábado, 8 de junho de 2013
Contando Carneiros....
"Aquilo que é essencialmente diferente do mal, é a virtude acompanhada de uma percepção distinta da possibilidade do mal , e do mal apresentando-se como um bem. A presença de ilusões abandonadas, mas presentes no pensamento, constitui, provavelmente , o critério da verdade." Simone Weil

As minhas ilusões a que te referes, eram a minha verdade ou a supremacia do bem ao mal .
O cerne da tua ilusão era a luxúria que podia ter todos os rostos e corpos que imaginavas de olhos fechados enquanto me deixavas amar-te languidamente.
"Só podemos ter horror de fazer mal a alguém quando nos encontramos no ponto onde esse alguém já não pode fazer-nos mal (amamos então os outros, no limite, como a nós próprios promovidos)." Simone Weil
Todo mal que temes de mim é o conhecimento que tenho de ti.
Só poderás ser tu tal como temes ser quando eu te aceitava na tua mentira de mancha humana. E dessa, tenho as mãos enrugadas de tanto tentar moldá-la em verdade.
Temo não querer
querer mais, mas nesta inércia emocional,
não existem perigos mais fortes do que a solidão.
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