O Sabado foi combinado com alguma antecedencia, pois queriamos visitar caves de vinho com um bom grupo de amigos ;e assim foi.
Apanhamos uns amigos pelo caminho e seguimos direccao a Mount Tamborine, onde se encontram dezenas ,se nao, centenas de caves que mais parecem challets coloniais e onde a variedade das castas se cinge ao Shiraz, Cabernet Sauvignon e Merlot e nao esquecendo `e claro para os brancos, o famoso Chardonay.
Visitamos as 3 que nos eram recomendadas : Nathan, onde comprei um licor de mel com mirtillos; Heritage onde a prova foi feita de p`e e `a pressa e quando chegamos `a AU, j`a estavam praticamente a fechar, mas foi de longe a que nos ofereceu um vinho de boa qualidade. Para quem gosta de vinhos fortes em taninos, estao no pais certo.
Para quem quiser ficar pelos portos, tamb`em os h`a. Desde o ruby, tawny, brandy e scotch , todas estas designacoes de porto, por lei, nao sao permitidas , mas `e a unica maneira que tem de apresentar esta gama de vinhos.
Almocamos todos num clima de festa familiar num forum recentemente construido onde se reunem varias industrias alimentares para degustacao. As que nos apelaram foram a dos queijos e a da cerveja.
Local absolutamente pensado para reunioes familiares e sociais em dias de lazer e onde a gula pode ser levada a serio.
A variedade de queijos `e extraordin`aria e de boa qualidade e quanto `as cervejas....vivam as belgas !
Nao deixa de ser um local aprazivel , pacato e com um cenario estonteantemente verde.
A tarde j`a avancava e antes que a sonolencia atacasse pelo calor que se sentia fomos visitar o Warren que tem uma casa de campo em Tamborine e onde para al`em do seu exuberante espaco exterior, ainda tem terra classificada de parque nacional.
Blue dragons, lorricanes (esp`ecie de papagaio autoctone ), araras, jacarand`as, sequoias,eucaliptos de v`arios tipos, bambus, acacias, camelias, araucarias, bananeiras, palmeiras, e tantas outras mais que poderiam fazer com que caisse no exagero, mas , nao. `E muito mais que isto. `E muito mais do que a minha vista alcanca. `E indiscritivelmente exuberante!
A familia do Warren estava toda reunida na parte plana do relvado. As criancas brincavam , os adultos beberricavam vinho enquanto trocavam piadas e n`os eramos levados num tour guiado pelo propriet`ario que com um orgulho assertivo mostrava as suas esp`ecies botanicas ameacadas pela lantana.....e quase que nao acreditou quando lhe disse, ironicamente que em Portugal compra-se lantana para decorar os jardins.
Foi depois de ter testemunhado a beleza de uma minima floresta tropical que faz parte da sua quinta onde o riacho nos convida a mergulhar os pes, nao fosse a proximidade de cobras, que me dei conta que estava praticamente rendida a querer mudar de vida e de pa`is.
As `arvores gigantes que mal deixam passar a luz e que dao oportunidade aos fetos de se expandirem, o som dos p`assaros ex`oticos que ecoam por entre as copas das `arvores e atraves dos bambus; o jogo de futebol praticado entre n`os e onde todos jogavam ,desde petizes a graudos e cada um com seu pa`is como bandeira, pois , afinal, a Australia `e o mundo novo.
A terra dita das "oportunidades" pode ser crida no continente Americano ,mas aqui tamb`em existem essas, mas muito mais. H`a qualidade de vida, bem-estar geral e ainda nao vi sinal de mis`eria. Ainda bem que nao h`a muitos que o saibam.
sábado, 16 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Ritualizando....
Main Beach, 04h30 e o sol ja tinha nascido quando acordei.
Nao sofri do dito jet lag, pois o dia aqui comeca para todos quando o sol nasce.
`As 5h30 tomavamos o pequeno almoco com fruta deliciosa que cresce nos jardins e `as 6h00 ja estavamos na praia para surfar.
Os amigos e vizinhos encontram-se no parque de estacionamento ou vao juntos no mesmo carro e vive-se numa tal confianca que alguns objecto surplefluos `as actividades praticadas deixam-se junto ao carro e com certeza que ai estarao no regresso.
Como ainda estou lesionada no braco comeco a correr ao longo do passeio maritimo que acompanha sempre a praia quase deserta por ter uma extencao a perder de vista. O calor que ja se faz sentir, pois o sol ja vai alto, `e cortado pelas enormes copas das arvores ao longo da via pedonal.
Aqui existe um ritual comum a toda a Australia visivel na pratica desportiva que mesmo variada , une esta sociedade fazendo da amizade e boa vizinhanca ,o hino nacional.
Pratica-se a amizade e a partilha atraves do desporto. Um ritual saudavel, cumplice e reconfortante.
No mar, os surfistas falam enquanto esperam pelas ondas; no passei maritimo, joggers ou caminhantes passam a dois ou cruzam-se cumprimentando outros; e os bikers competem em equipas de 4,6,10,20 e no fim juntam-se nas esplanadas para beberem um caf`e antes de voltarem a casa para se vestirem para o trabalho.
Parece-me que `a parte do Botao, esta poderia ser a sociedade onde a percentagem felicidade sera maior e visivelmente testemunhada.
Vai ser dificil surpreenderem-me mais....
Nao sofri do dito jet lag, pois o dia aqui comeca para todos quando o sol nasce.
`As 5h30 tomavamos o pequeno almoco com fruta deliciosa que cresce nos jardins e `as 6h00 ja estavamos na praia para surfar.
Os amigos e vizinhos encontram-se no parque de estacionamento ou vao juntos no mesmo carro e vive-se numa tal confianca que alguns objecto surplefluos `as actividades praticadas deixam-se junto ao carro e com certeza que ai estarao no regresso.
Como ainda estou lesionada no braco comeco a correr ao longo do passeio maritimo que acompanha sempre a praia quase deserta por ter uma extencao a perder de vista. O calor que ja se faz sentir, pois o sol ja vai alto, `e cortado pelas enormes copas das arvores ao longo da via pedonal.
Aqui existe um ritual comum a toda a Australia visivel na pratica desportiva que mesmo variada , une esta sociedade fazendo da amizade e boa vizinhanca ,o hino nacional.
Pratica-se a amizade e a partilha atraves do desporto. Um ritual saudavel, cumplice e reconfortante.
No mar, os surfistas falam enquanto esperam pelas ondas; no passei maritimo, joggers ou caminhantes passam a dois ou cruzam-se cumprimentando outros; e os bikers competem em equipas de 4,6,10,20 e no fim juntam-se nas esplanadas para beberem um caf`e antes de voltarem a casa para se vestirem para o trabalho.
Parece-me que `a parte do Botao, esta poderia ser a sociedade onde a percentagem felicidade sera maior e visivelmente testemunhada.
Vai ser dificil surpreenderem-me mais....
Fado da partida
Um dia vou-me rir a contar o dia da minha partida para a Australia onde ficaria um mes a desfrutar de paisagens unicas em `optima companhia.
No aeroporto agarrei-me `a minha aminga Manu e um n`o na garganta melancolizou o momento.Deixava uma situacao mal resolvida e viajava sem o querer, mas por precisar de me ausentar.
A viagem ate Paris foi rapida como normalmente e muito reconfortante com um hospedeiro a mimar-me com atencoes, desde uma almofada ate a um segundo servico de cha. O vermelho dos meus olhos aumentara devido a pressao do ar e deveria ser perceptivel essa tristeza numa cor tao quente.
Em Paris fazia -5C, mas nao tao frio como Lisboa. " As vezes tenho mais frio no meu quarto vazio", soava-me a algo familiar, talvez a uma musica dos Xutos.
Sai para fumar um dos meus ultimos cigarros e fui bombardeada com a mafia dos taxistas parisienses que no seu ar rufia, intimidavam qualquer cliente. Um sem-abrigo retirava com o dedo indicador as nats de um pacote ja quase vazio. A gordura ingerida a frio para aquecer a alma.
Mudei de terminal e de cenario. Nas partidas de viagens de longo curso tudo o que `e loja , brilha numa tentativa de se aproximar aos neos Orientais . Os cafes estao abertos e compro uma agua e ua revista de psicologia onde um dos artigos me chama a atencao.
Na sala de embarque ja se veem muitos orientais e australianos. Irremediavelmentereconheciveis, uns pela fisionomia, outros pelo estilo tao descontraido e indumentaria ligada ao mundo dos desportos e aventura.
O melhor aeroporto de sempre- Singapura!
O lounge para fumadores e exactamente um terraco exuberantemente decorado com plantas exoticas desde palmeiras , bananeira e jacarandas e um bar no meio desta selva reservada a viajantes. Ar puro!
Quanto a chegada a Brisbane....inesquecivel pela luminosidade, calor e extencao de territorio.
O Ian ja me esperava ha algu m tempo sem saber que a minha mala tinha sido destruida e aconchegada com cintos da companhia aerea Qantas, talvez a melhor companhia com que ja voei.
E agora, o mundo novo tao desejado vai ser com muita certeza e vontade, bem explorado.
Amanha , fialmente as estorias das 1as imagens que nao poderiam ser melhores.
No aeroporto agarrei-me `a minha aminga Manu e um n`o na garganta melancolizou o momento.Deixava uma situacao mal resolvida e viajava sem o querer, mas por precisar de me ausentar.
A viagem ate Paris foi rapida como normalmente e muito reconfortante com um hospedeiro a mimar-me com atencoes, desde uma almofada ate a um segundo servico de cha. O vermelho dos meus olhos aumentara devido a pressao do ar e deveria ser perceptivel essa tristeza numa cor tao quente.
Em Paris fazia -5C, mas nao tao frio como Lisboa. " As vezes tenho mais frio no meu quarto vazio", soava-me a algo familiar, talvez a uma musica dos Xutos.
Sai para fumar um dos meus ultimos cigarros e fui bombardeada com a mafia dos taxistas parisienses que no seu ar rufia, intimidavam qualquer cliente. Um sem-abrigo retirava com o dedo indicador as nats de um pacote ja quase vazio. A gordura ingerida a frio para aquecer a alma.
Mudei de terminal e de cenario. Nas partidas de viagens de longo curso tudo o que `e loja , brilha numa tentativa de se aproximar aos neos Orientais . Os cafes estao abertos e compro uma agua e ua revista de psicologia onde um dos artigos me chama a atencao.
Na sala de embarque ja se veem muitos orientais e australianos. Irremediavelmentereconheciveis, uns pela fisionomia, outros pelo estilo tao descontraido e indumentaria ligada ao mundo dos desportos e aventura.
O melhor aeroporto de sempre- Singapura!
O lounge para fumadores e exactamente um terraco exuberantemente decorado com plantas exoticas desde palmeiras , bananeira e jacarandas e um bar no meio desta selva reservada a viajantes. Ar puro!
Quanto a chegada a Brisbane....inesquecivel pela luminosidade, calor e extencao de territorio.
O Ian ja me esperava ha algu m tempo sem saber que a minha mala tinha sido destruida e aconchegada com cintos da companhia aerea Qantas, talvez a melhor companhia com que ja voei.
E agora, o mundo novo tao desejado vai ser com muita certeza e vontade, bem explorado.
Amanha , fialmente as estorias das 1as imagens que nao poderiam ser melhores.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Enfim....já passou!
Enfim, terminou todo este ambiente perigoso do Natal.
Acabaram as compras que nunca fiz á ultima hora,
os fritos e bolos-rei que não comprei,
os passeios em família nos centros comerciais (Jesus),
os sorrisos de uma boa disposição inquietante,
as benovelências inerentes á quadra que pagam o egoísmo ao longo do ano.
Respiro fundo e sigo para ainda um último esforço:
o de me comprometer a escolher um bom programa para a passagem do ano.
E parece interminável esta cadência de eventos tão sistematicamente previsíveis todos os anos.
Assim como os Egípcios tinham as inundações do Nilo anualmente , o que lhes assegurava a perspectiva de continuidade , nós temos as cheias de gente desesperada em assegurar mais um Natal obrigatoriamente em família e sem podermos recusá-lo com a penalidade de se ficar só em casa , em frente a uma TV depressivamente ofuscada pelo conceito de felicidade a rodo entre os confraternizantes.
Esta continuidade de Natais asseguram-me cada vez mais que tenho de me ausentar durante esta época, pois quem não tem a sua própria família, pode cair na tentação de querer uma para não sofrer com a solidão e tristeza por não poder partilhar desta benesse (lucro que não provem do trabalho).
Toquem sinos, cantem hinos,
mas digam-me que os anjos também serão convidados.
A árvore foi decorada sem ajuda de crianças, especialmente , este ano;
Especialmente , este ano, que vi a felicidade destas em acreditarem no Pai Natal,
Que senti que nunca mais vou sentir a falta deste para distribuir as prendas lá em casa.
Para o ano que vem irei esquecer-me novamente das promessas que fiz a mim mesma em não repetir o mesmo erro de passar o Natal como passei: fugindo de um esconderijo de solidão em grupo para outro, o meu.
A minha passagem para a Austrália é só em Janeiro depois dos Reis e por algum longo tempo vou comemorar o Natal perto de quem sabe viver em paz, em harmonia com a natureza e vou embriagar-me de tanta paisagem despida de luzes e de barulho tóxico .
Vou poder ser feliz sozinha em comunhão com a natureza e com o meu amigo Ian que respeita o silêncio como se de um acto intimo se tratasse. E é-o!
E apraz-me que o silêncio me colha os frutos de tanta injustiça verbalizada e escutada sem poder tapar os ouvidos.
Espero voltar de alma lavada, ou não voltar, ainda seria melhor.
E espero......
sábado, 5 de dezembro de 2009
De Carla...para Faraco!

Hoje falo de dois homens que me surpreenderam na voz de um só.
Acabei de assistir ao concerto de Marcio Faraco no Instituto Franco-Português onde a música cantada por um Brasileiro que vive em França foi mais uma vez uma apelação ás viagens.
Fui ao concerto porque os bilhetes me foram enviados de França numa tentativa de reencontro.....logrado. Por cá não se ouviu falar no concerto de Marcio e quando dele falo também ninguém o conhece; mas o Brasil está cheio de bons interpretes e talvez por este ter escolhido a França como sua nova pátria, seja por si só uma marginalização.
Conheci os seus álbuns "Cirando" e "Interior" enquanto atravessava Marrocos de Norte a sul numas férias intensamente vividas e ao sabor do windsurf e do deserto com o Olivier.
Noites quentes,dias abrasadores,ventos cortantes,estradas infinitas, oásis pontuais e muita predisposição para a evasão.
E assim foi...andámos,nadámos,dançámos, e amámos ao som de Faraco.
O que não pensava ouvir , era a alusão a esta minha viagem ; e assim foi, em guitarra,clarinete, piano e baixo, mas também na verbalização do meu nome no último "encore".
Marcio continua a encantar com as suas estórias quase sussurradas pela sua timidez cantante.
Nos interludios , " entregava" o companheiro do clarinete, evocando a sua propensão para mudar de "geladeira", mas manter a cozinheira sempre que saía de casa. Óptimo sentido de humor e excelente interacção com o publico.
Sensibilidade de artista que canta o coração e que o tem no lado certo.
No seu grande coração ouve espaço para falar de vários amores,dissabores,lugares, adrenalina e de ainda um amor que não era o dele, mas que lhe tinha chegado por email para que ele o cantasse para a Carla de Lisboa , de Paris .... com amor.
Emocionei-me não com o pedido do Olivier ao Marcio, mas da sensibilidade do último por se ter sensibilizado com o pedido de um total desconhecido.
Este concerto vai ficar no coração.
De Carla .... com emoção.
sábado, 14 de novembro de 2009
Trópico de Strauss

Enquanto adolescente curiosa e de coração atento á natureza,
lia sobre viagens ao âmago das tradições,conjunturas e história do ser humano enquanto ser sociável e indutor de mudança do seu meio-ambiente.
A história era mais agradável pela perspectiva relacional de Levi-Strauss;
e quando acabava de ler " Tristes trópicos" sentia que alguém me tinha apaixonadamente oferecido uma leitura sobre o mundo.
Um dia mais tarde iria questionar a racionabilidade do ser humano que perante tanta repetição factual continuaria a cometer os mesmos erros sem alguma aprendizagem reter dos mesmos.
Logo percebia a frase : "Errar é humano".
Era a ausência da sua essência como energia motriz dessa criação - a humanidade - a qual despoletaria erros fatais á visão de um ser capaz de racionalizar os seus sentimentos.
Talvez o erro fosse, exactamente, deixar a razão prevalecer no lugar da emoção...talvez.
A ciência também já provou o erro e do erro.
O amor como verdade é o único que tem dado provas certas.
E como é que se consegue partilhar o saber se não através da paixão ? Essa força inata que nos compele a querer partilhar?
Um acto não altruísta, mesmo egoísta , de humanamente se compensar a si próprio ?
Claude Levi-Strauss foi apaixonado por tudo o que levava ao acto criativo e como a criação pode ser um acto acidental, o homem como criador não era importante, mas sim a sua obra.
Hoje escrevo sobre um homem que deixou uma grande obra e sobre a qual não faz sentido falar sem pronunciar o seu nome.
Fica aqui um excerto de uma das suas obras:
" É então que eu compreendo a paixão, a loucura, o logro das narrativas de viagens. Oferecem a ilusão daquilo que já não existe e devia ainda existir, a fim de escaparmos á deprimente evidência de estarem passados 20 000 anos de história.
Já não há nada a fazer : a civilização já não é essa flor frágil que se preservava, se desenvolvia com grande custo em alguns recantos abrigados dum torrão rico em espécies rústicas, ameaçadoras sem dúvida pela sua vitalidade, mas que graças a ela permitiam variar e revigorar os gérmenes. A humanidade está a instalar-se na monocultura; prepara-se para produzir a civilização em massa, como beterraba. O seu regime habitual passará a ser constituído por esse prato único ".
Claude Levi-Strauss in "Tristes tropiques" 1955
sábado, 5 de setembro de 2009
Reflections of clouds on the water-lilly pound

Sentei-me na sala comum para ouvir as noticias na televisão que me escapavam haviam alguns dias. No terraço á beira-Douro dois hóspedes falavam com a caseira da Quinta num quase perfeito português foneticamente brasileiro. O sino anunciava a abertura do lagar aos convidados a pisar as primeiras uvas para mais tarde rotular-se o vinho de : Porto.
Sentada a terminar um livro que trouxera religiosamente de Lisboa, ouvia a musica que começava a tocar para ajudar na festa da vindima. Uma atrás da outra soavam a Roberto Leal ou algo de semelhante e ao som deste ritmo aparecia em calções o casal, afinal, de alemães que mais tarde soube, não falhavam as vindimas do Douro haviam cinco anos. Estive tentada a descer também, mas a lua cheia foi mais tentadora e ali fiquei a escrever sob a sua luz.
Timidamente a festa iniciava-se com mais autores cantando o retorno da imigração.
Sempre quis participar nas vindimas, mas desde cedo opinei na ideia que sendo um ritual de fertilidade teria que estoicamente partilhá-lo com alguém hormonalmente compatível.
O vinho é realmente um ser vivo parido por todos os que nele deixam um pouco do seu toque, do seu sabor, do seu saber. E como para tal é necessário uma leveza e uma participação emocional.....
Desta vez não bebo ao Douro, não bebo o Douro e não bebo!
Olhei fixamente a minha companheira distante e complacente que nada me esclareceu da vida nem da morte.
Continuo a olhá-la com desconfiança pelo mau trato do único desejo que lhe confiei e do qual não avisto rasto.
Procurar dentro de mim, não posso. O vazio é visivelmente volátil ao engano.
E nesse engano continuo a embrulhar-me nos braços de um outro vazio que de afecto infecta os meus lábios e de desprezo, ataca a minha liberdade.
O silêncio dos inocentes é o oxigénio do lobo.
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