sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Miséria Franciscana!


Gostaria de saber o que me leva a não opinar sobre politica nestes tempos recentes...
Talvez, a inércia da sua substância ou do mau trato a que o conceito de POLITICA tem sido subjugado.
Na Antiguidade, ser politico era intrínseco a líderes/pensadores que no seu inato dinamismo modificavam economias estagnadas, mas sobretudo, pensavam a vida para manipularem o seu conteúdo na perspectiva do bem-estar individual. Daí a filosofia ser tão importante na politica.
Ora, quando me anunciam que o Eng. Sócrates está a pensar carregar nos impostos para quem tem um rendimento de agregado igual ou superior a 50.000 contos e não Euros.....fico estupefacta, primeiro com a audácia da afirmação que procura reacção ; e, segundo com a indignação do individuo afirmante que ainda tem o descaramento de acrescentar que quem está no dito escalão nem ganha nada de especial para ter que descontar mais.

O menino não é esquisito nem difícil.....só quer o bom e o barato!

O problema não é dos nossos políticos, é mesmo dos Portugueses mais espertos que os outros!


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Wining up


To all my friends that are unconditional Douro valley lovers with whom I've shared great moments of embellished shy sunsets on the river......I have to admit that wine, originally introduced by the Romans here ,
has still its apogee in the eternal time to come so that one can witness its velvety touch and fruity aroma like any one's fancies.
Even if you have planned abstention for once, it won't last that long for emerging wineries grow as mushrooms and exquisite retreat hotels invite you to go back to a romantic treat even if you are your own company.
There's no greater love here than the untouchable power that nature applies over an emotional state of mind eager to inhale beauty and to mature sensuality.
All your senses are wide open to absorb this immaculate scenery even if somehow enhanced by the human wish for magnifying it with the black greenish basalt stone.
Ambition is a mere illusion of human desire for monopoly.
The Douro has played the game and won it so far.
Celts, Romans, Cistertians and travelers by definition have legate the word about it, through time, with the aim of never put to oblivion what nature has gifted us all .....the bliss of just ephemerally being part of it.
There aren't enough colours or light to picture it better than what it is.
Isn't this love ?
Cheers to you!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

De França com amor...


Acordo ao som de mensagens que chegam de longe e me transportam para a virtualidade.
Esta é a realidade do sec XXI.
Estamos em permanente perigo de começar, manter e acabar relações através de palavras facilmente articuladas num écran sem que se tenha que confrontar o outro ser, o dito, amado. O facto de não se verbalizar o que se escreve, desesresponsabiliza-nos e como tal não sofremos nem da culpa nem do receio de virmos a ser culpabilizados.
Escrevem-se as melhores frases e poemas e guarda-se o silêncio para o viver a dois.
Pois, quem pensa que tal situação é fácil, engana-se. Muito mais difícil que manter uma conversa é saber partilhar um silêncio a dois.
Agora que já tivemos "soirées" Á margem da virtualidade podemos apanhar esse veleiro que partirá ainda este mês.
De Lisboa com amor.....




segunda-feira, 13 de julho de 2009

O balneário da Europa



Mais um Domingo a descansar ao som de pássaros e rebentar de pequenas ondas. A nossa costa é fantástica e recuso-me a marcar férias de praia para outros destinos a não ser que seja para me oferecerem uma água mais quente e coqueiros para me regalarem um imaginário desde há muito enraizado como lugar idílico.
É bom poder estar na praia sem haverem cães a correrem de um lado para outro e criancinhas longe dos olhares dos pais jogando futebol no nosso estabelecido perímetro de lazer.
A praia é pública em Portugal e ainda bem que o é!
Enquanto desfrutava do Courrier apercebia-me que os nossos vizinhos espanhóis também nutrem da mesma admiração pela nossa costa vicentina.
Não posso deixar de transcrever partes de um texto que Jordi Joan Baños escreveu para o La Vanguardia e que mais uma vez vai de encontro á ideia que partilho constantemente com os meus clientes quando lhes falo da nossa realidade .
"Se há um lugar na Europa que não foi colhido de surpresa pela estagnação da economia é Portugal. Mais do que uma conjuntura económica, a crise e a melancolia que leva acoplada parecem ali um estado de alma.Pelo menos desde que, há cinco anos, o então primeiro-ministro José Barroso abandonou o barco em mares agitados para partir para Bruxelas, pouco depois de ter servido de anfitrião da Cimeira dos Açores - um acontecimento não precisamente fortalecedor da unidade europeia.(....)
Inteligentemente, o próprio Sócrates - como Zapatero - apoia Barroso para um novo mandato de presidente da Comissão Europeia. Faz bem: três em cada quatro portugueses consideram-no bom para Portugal.(....)
Menção especial merecem os cartazes de Ferreira Leite que surgem nas estradas portuguesas. "Não desista. Todos somos precisos", rezam. Mas a desolada foto a preto e branco da candidata, sem maquilhagem, poderia fazer pensar os turistas que visitam o Algarve de que se trata da mensagem de uma associação de apoio á terceira idade ou de prevenção do suicídio.(...)
Mas voltemos á crise. A deterioração económica pode deter o lento declínio do Partido Comunista de Portugal, o mais ortodoxo do ocidente. Mas, sobretudo, pode dar asas ao Bloco de Esquerda, um partido surgido nos anos 90, com uma ideologia eco- socialista equivalente ao da Iniciativa per Catalunya. O carácter visionário do seu líder, Louçã, de grande solidez intelectual, põe os cabelos em pé aos sectores centristas da sociedade portuguesa.
Ao longo da última década, Portugal assistiu perplexo á descolagem da economia espanhola. Ao mesmo tempo, converteu-se no terceiro mercado para as empresas espanholas. Agora, são os espanhóis que vendem roupa e hortaliças a Portugal. Entretanto, os portugueses voltaram a emigrar, em muitos casos para Espanha.
A crise tem pelo menos, um lado bom. Desmoronado o modelo económico espanhol, baseado no tijolo, o litoral Alentejano respira mais tranquilo. Á mesma latitude de Alicante, embora com águas mais frias, Portugal conta com imensas praias virgens que só podem provocar inveja a catalães, valencianos ou andaluzes. A riqueza de um país também se mede pelo respeito pelo seu território e pela sua beleza natural. E a sensibilidade estética dos portugueses pela sua paisagem urbana e natural sempre esteve muito acima da nossa. Graças a Deus que ainda temos Portugal. (...)
O litoral Alentejano é um dos últimos redutos costeiros da península que resistiu á especulação imobiliária. Á excepção, a península de Tróia, junto a Setúbal e já muito próxima de Lisboa, confirma a regra. A sua renovação urbana fez-se depois de se derrubarem os piores arranha-céus, do tipo Manga Del Mar Menor, e apostando numa arquitectura de qualidade.
Depois de ter sido a guarda avançada do Ocidente e o pioneiro da globalização - veja-se a Índia, a que Portugal chegou antes que a "Las Indias", em contraste com Castela - , com a sua lentidão, a sua luz e os seus sabores, Portugal parece resignado ao seu destino de balneário da Europa. "

E quem é que vive em Portugal? Os portugueses! E mais uma vez aqui fica uma pequena nota de uma amiga psicóloga escandinava que ao visitar Portugal pela primeira vez me disse : " cada povo tem aquilo que merece!"


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Chill out com Fernado Alvim


É sempre bom estar na companhia de Fernando Alvim e ainda mais quando se pode desfrutar de uma amena discussão em final de tarde no terraço do Oceanário com companhia e intervenientes interessantes.
O tema proposto pela revista Time out era sobre as boas práticas ambientais e para além do bom ambiente e do bom sentido de humor também haviam canapés e vinho biológicos.
Os convidados para o debate não poderiam ter sido mais ecléticamente escolhidos...e bem!

A Sara , produtora de vinhos biológicos tentava explicar românticamente a diferença da uva tratada num sistema bio-dinâmico e alguns assistentes cépticos refutavam a ideia pelo preço destes no mercado .
Uma das passagens mais lindas e ainda sobre o sistema bio-dinâmico - que muita gente desconhecia - começou quando Paulo Almeida , proprietário do restaurante Miss Saigon, evocou os bichinhos, insectos e vários rastejantes que deixam de existir quando se utilizam pesticidas e outros químicos na produção vinícola.....apareceu o bichinho da fruta, protagonista introduzido oportunamente na conversa por Fernando Alvim.

E bravo! Foi um prazer ver no olhar colectivo essa nostalgia provocada pelo velho amigo de infância : o bicho da fruta que já reapareceu nos mercados e que substitui eficazmente os Tamagoshis que eram uma chatice, pois tínhamos que pensar em alimentá-los como se de um ser vivo se tratassem.
Não era credível, pelo menos para jovens adultos como eu que começavam assim, o treino de processo de adopção - que como sabem pode levar uma vida.
E no seguimento do bio-dinamismo , o jovem embaixador de Inglaterra em Portugal não poderia ter tido uma contribuição mais digna da boa reputação do sentido de humor Britânico evocando o seu intestino como o único sistema bio-dinâmico que seguia de perto.

Ora, rodeados de convivas que faziam jus ao verdadeiro conceito de chill out, o programa não poderia ter sido melhor. Até a arquitecta Livia Tirone, conhecida pela sua prática de arquitectura sustentável e pela sua postura discreta ,teve o seu espaço de humor quando especificou que todas as casas têm necessidade de deixar entrar 0,6% de ar por hora através de janelas ou portas. E nós que calafetamos tudo o que é janelas.......

Tudo isto não teria sido possível sem a disponibilidade do "Dono do Oceanário" como Fernando Alvim o chamava e que por não ter repetido o nome do sr. em questão algumas vezes....não ficou; mas ficou uma deliciosa tarde de Verão para recordar.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Soberba


Aqui fica o melhor retrato da pretensa"elite"portuguesa e perdoem-me se me desgosta a soberba como bandeira do Ser em Portugal.
Afinal , quem não é ..... só poderá parecer.
E que me desculpe a Clara Ferreira Alves de me servir de um excerto que publicou há 2 semanas no Expresso, mas aí encontrei a melhor maneira para me exprimir a um Domingo de manhã onde a preguiça se apoderou de mim e quando reflicto sobre a controvérsia emocional que é apresentar este país aos estrangeiros como guia-Intérprete.
Contudo, não poderia deixar de exaltar o infeliz desagrado que me provoca esta mania de pretenso estatuto social que lidera a primazia do Estar em Portugal remetendo a mentalidade portuguesa para a arca da insustentável precariedade do Ser.
Quem me pode explicar este marasmo em que caímos desde que demos o país a governar aos Ingleses durante a fuga do rei para o Brasil?
Também lá se viveu de aparências quando tiveram que enrolar as sedas trazidas da Índia para esconderem a falta de cabelo de que toda a côrte e realeza padecia.
Aqui e agora é assim :

"Há uns bons anos, políticos, economistas, empresários e outros crânios sortidos, decidiram que o modelo de transporte individual devia ser "implementado" (neologismo inventado pelos mesmos crânios) em detrimento do transporte ferroviário. E que a nossa ligação á Europa assentava na rodovia e na aviação. No resto da Europa construía-se o Channel e a rede de alta velocidade. Durante o Cavaquismo, a decisão rasgou as estradas e auto-estradas que por aí andam (....).
Os portugueses pagam uma fortuna em portagens. A desertificação acentuou-se e vilas e aldeias deixaram de ficar no roteiro e caíram no esquecimento. Ninguém conhece Portugal, atravessa-se Portugal. A CP, essa relíquia,destruiu estações de caminhos de ferro e acatou o domínio do automóvel. O país servido por comboios foi abandonado. O Portugal dos patos bravos e dos novos-ricos floresceu com estes visionários, e juntou-se ao pacote de destruição compulsiva da paisagem e do ambiente, a mania avulsa dos estádios de futebol, dos apartotéis e dos condomínios fechados. Uma volta por Portugal dá-nos a medida deste desastre. (.....).
Lembro-me de ter esta discussão com um ministro que me respondeu que os portugueses podiam e deviam ter direito aos seus carros novos, mais do que um por família, como os outros "europeus".
Os estrangeiros que desembarcam neste país pobre e periférico ficam admirados com a nossa frota automóvel. Em nenhuma estrada de Espanha se vêem tantos carros novos como em Portugal. Trocar de carro de dois em dois anos é uma obrigação. O carro é a casa e o símbolo do sucesso.
Este deslumbramento acabará, pelas razões conhecidas. Um dia teremos as nossas cidades escavadas com parques subterrâneos inúteis. Alemanha, Republica Checa, Polónia e Irlanda apostam nos tróleis e eléctricos, Londres tirou os carros da cidade e em Madrid os carros de um só condutor pagam maior portagem. Em Lisboa, cidade despovoada, há engarrafamentos no fim-de-semana. O litoral é um imenso subúrbio. E até construímos um Autódromo no Algarve.
Achamo-nos, em vez de perdulários, pitorescos."

Dói muito constatar que esta é mesmo a realidade portuguesa e ainda mais dói quando se viveu em vários países da Europa e se constata que apesar das médias de informação e educação dos vários tecidos sociais Europeus não contrastem largamente do nosso, a mentalidade é realmente o nosso handicape.
Vivemos como Janus, com a cabeça dividida entre o passado e o futuro, lição saudosista implementada pelos Lusíadas e revivida feroz e popularmente durante o período Salazarista.
Fazia-nos falta outra epopeia de descobertas, mas agora, ao nível do SER.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Á margem.....ao luar



O nome da esplanada - restaurante é, á partida, revelador da sua localização em Lisboa. Discretamente erguido há uns anos atrás, esta mais valia do bem-estar e lazer lisboeta oferece-nos nas chuvosas manhãs de Domingo o recanto ideal para ler, escrever e simplesmente estar num ambiente onde a excelente selecção musical que pode ir de Bach até ás Mornas e Jazz complementa o agradável quadro. Em finais de dia, no Verão, não me consigo lembrar de outro poiso tão pouco ; pois enquanto nas outras esplanadas se espera para ser visto e ver quem trás quem....aqui não há pretensão de ser.
Aqui , só se está. E está-se á margem de tudo resto.
Quem aí trabalha não poderia estar de mau humor, pois é um privilégio poder olhar o estuário de tão perto com seu belo Baluarte Manuelino á margem.
E foi aí , á margem, onde mais uma vez me deliciei com a lua cheia do solstício de Verão e recordei em amena cavaqueira a festa de Midsommar nos países escandinavos onde se dedica esta noite á procura de marido.
E se a presença discreta do artista que melhor cantou o Douro foi quase ameaça de uma futura estrofe sobre o Tejo....a presença de uma certa poesia que pairava sempre á roda da lua , cantava em cumplicidade , o seu efeito, nos nossos olhares.

Como a noite ia longa e a companhia era boa.... a lua fez das suas e ofereceu-nos umas das noites mais bonitas de sempre onde a conversa fluída como a imperceptível brisa no ar nos ofereceu o tão querido encanto das noites mágicas.... era esta , uma eterna noite á margem e tão subtilmente espelhada no rio.
Não demos conta que já era tempo de fechar a esplanada e agradecemos ao pessoal que oportunamente simpáticos nos saudaram com o tão saboroso: até amanhã!
É bom estar apaixonada.

Bebel Gilberto "Samba e Amor" [ + Lyrics, em Português ]