O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Expresso'
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
Trilogia Americana - Berry, ou a riqueza de viver a vida
Conheci o Ray como cliente enviado de N.Y. . Acompanhava a sua neta mais velha numa descoberta da Europa visitando a Península Ibérica e Grécia.....What are the odds??Visitámos Lisboa e Évora e ainda os levei a conhecerem a praia da Alfarim onde Sophie se deliciou com o tamanho das ondas.
Este meu acto lúdico de entreter a jovem adolescente para além de património arquitectural e histórico valeu-me o início de uma boa amizade com Ray que uma vez de volta a Naples ( U.S.) continuou a contactar-me via email com alguma assiduidade.
A sua história resume-se á felicidade de ter tido um percurso familiar longo, consistente e verdadeiro com a sua falecida esposa.
Enviuvara há 3 anos e ultrapassados certos hábitos rotineiros em conjugue, mantinha agora a persistência de querer usufruir do património que construíra , fruto do seu trabalho e habilidade económica, assim como das receitas da sua própria herança.
Ray é presidente e CEO da cadeia de supermercados Freshmarket e para festejar a recente IPO da sua empresa , agora cotada na Bolsa de valores, fez-me o convite para o acompanhar a Paris onde iria negociar um Chagal que tanto queria desde há 1 ano e comemorar o início de um novo episódio da sua vida, a pré-reforma.
A proposta foi aceite e uma vez em Paris , o programa foi variado e extenso. Cheguei cansada, mas certa que tinha feito um grande amigo para a vida.
O Chagal, da série de flores em jarra, ficará sobre a chaminé da sua casa no Colorado e a tela de Cabellut pela qual me apaixonei e a qual nunca pensei que prendesse a atenção de Ray, ficará na sua nova casa em Miami.
Fica também uma bela recordação da escapadela em TGV a Mont St. Michel e a variada gastronomia Normanda sempre acompanhada por excelentes tintos Margaux ou Pommards.
E a promessa de uma próxima visita a Lisboa , onde Ray e o seu arquitecto, visitarão salões de decoração de cerâmica e farão uma recolha de imagens da arquitectura Portuguesa, pois afinal a sua futura casa de praia em Miami vai ser de influência Lusa.
Será com muito prazer que reverei este senhor que tanto fez para se conseguir realizar num negócio criteriosamente compatível com o seu bem estar e o dos outros, mas também o altruísmo visivelmente projectado para o mecenato onde grandes somas oriundas da recente IPO serão doadas a um cientista amigo que produz tecido celular através de liquido amniótico .
Um senhor discreto que gere e cria mais riqueza que qualquer grande empresário do nosso território.
Enfim, um grande senhor.
De psicólogo infantil para o sector primário...com amor.
sábado, 4 de dezembro de 2010
Palavras par viajares...
Ainda nesse breu da quase aurora invernal
escapa-te a cor ocre dos chaparros,
o movimento sensual dos seus troncos desnudados neste verão que passou.
Como sempre, escapa ao mero passante, a arte de despir as árvores,
a mudança de manto rasteiro ao seu redor,
a ausência dos animais e dos insectos,
porque é tempo de hibernar.
É tempo de recolhimento porque o corpo pede á mente;
É tempo de olhar as fugalhas estaladiças numa lareira que por algum tempo pode ser a nossa;
De cheirar o calor dos corpos abafados pelos lençóis;
Esperar que as filhós levedem no alguidar
E sentir através da janela o frio que imagina a neve por além.
É tempo de acariciar todas as palavras que se vão dizendo
porque temos mais tempo para repensar o acto de acordar
para a vida e para as paixões.
Quando entrares no Caldeirão o céu já estará mais próximo de ti
E a terra gritará a tijolo.
Não notarás a diferença entre alfarrobeiras e amendoeiras;
As lendas moiras ainda não desabrocharam em branco;
As chaminés preguiçosamente libertarão os primeiros fumos arrendados a cal
Porque, então, o sol trará o cheiro a café e torradas.
E no mercado de Loulé já haverá frésias apanhadas em Monchique.
O Paixanito e... a sua lista infindável de acepipes.
E quando estiveres de regresso depois de tanto pedalares
poderás pensar em tudo o que poderás ter apreciado
ou talvez só memorizado-
em efémeros segundos-
se a velocidade dos teus pensamentos não te tolhesse o tempo da contemplação.
Um dia vou ensinar-te a viajar no tempo :-)
escapa-te a cor ocre dos chaparros,
o movimento sensual dos seus troncos desnudados neste verão que passou.
Como sempre, escapa ao mero passante, a arte de despir as árvores,
a mudança de manto rasteiro ao seu redor,
a ausência dos animais e dos insectos,
porque é tempo de hibernar.
É tempo de recolhimento porque o corpo pede á mente;
É tempo de olhar as fugalhas estaladiças numa lareira que por algum tempo pode ser a nossa;
De cheirar o calor dos corpos abafados pelos lençóis;
Esperar que as filhós levedem no alguidar
E sentir através da janela o frio que imagina a neve por além.
É tempo de acariciar todas as palavras que se vão dizendo
porque temos mais tempo para repensar o acto de acordar
para a vida e para as paixões.
Quando entrares no Caldeirão o céu já estará mais próximo de ti
E a terra gritará a tijolo.
Não notarás a diferença entre alfarrobeiras e amendoeiras;
As lendas moiras ainda não desabrocharam em branco;
As chaminés preguiçosamente libertarão os primeiros fumos arrendados a cal
Porque, então, o sol trará o cheiro a café e torradas.
E no mercado de Loulé já haverá frésias apanhadas em Monchique.
O Paixanito e... a sua lista infindável de acepipes.
E quando estiveres de regresso depois de tanto pedalares
poderás pensar em tudo o que poderás ter apreciado
ou talvez só memorizado-
em efémeros segundos-
se a velocidade dos teus pensamentos não te tolhesse o tempo da contemplação.
Um dia vou ensinar-te a viajar no tempo :-)
domingo, 31 de outubro de 2010
Tão só .... e tão grande !
Passar pelo Guincho, a que horas forem , independentemente da estação do ano é sempre uma lufada de ar fresco .Venham os turistas do Norte da Europa, do extremo asiático ou do sul de África ninguém fica imune ao poder da natureza.
Mais uma vez lembrei-me de Turner e da importância da cristalidade da água; dos mares revoltosos; da tragédia anunciada e da luz sempre intemporal.
Se por vezes não conseguimos organizar e dominar os pensamentos, perante este espectáculo onírico, a mente desagua no oceano e tudo o que era problema ou questão desvanece-se e passa-se a um estado contemplativo de pré-meditação ....se nos conseguíssemos alhear de tal beleza...
São estes dias que me vão preenchendo esta ansiedade inata de tudo querer conquistar,
Que me fazem acreditar por breves momentos que a solidão é só:
Eu e a impossibilidade de não poder partilhar tudo isto com alguém.
domingo, 24 de outubro de 2010
Saltimbanco chinese poles
Mais um excelente espectáculo do Cirque du soleil onde a cor, o movimento e a boa disposição me levam para um imaginário que funciona como o meu refugio de infância : rir ás gargalhadas imaginando o que fica em entre linhas e sair extenuada de tanta energia em palco.
Continuam a surpreender pela destreza artistica e capacidade de inovação.
Atipicamente, circenses, no nosso país onde o conceito de circo ainda continua a ser a domesticação de animais e os palhaços rico-pobre...algo já caduco e fácil de aborrecer qualquer comum mortal pela mecânica do espectáculo tão previsível quanto cheio de lugares comuns ; este é um circo para quem quer treinar um pouco a imaginação em detrimento do consumo do "fast circus".
terça-feira, 19 de outubro de 2010
De volta ao liceu
Recebi um sms do Carlos Paulo que anunciava um jantar na sua nova quinta em Azeitão onde a ideia era reunir os nossos colegas do 9º ano que continuaram a sua cumplicidade por muitos anos mais, ou seja durante praticamente o resto da adolescência até á idade adulta com alguns interregnos.
A turma era conhecida no liceu como uma turma insubordinada que alguns professores temiam por não nos conseguirem dominar . Enfim, irreverentes e a maior parte deles futuros artistas da nossa praça.
Falar desses momentos áureos do liceu é minimizá-los , pois são sensações quase impossíveis de descrevê-las devido á sua intensidade.
Ficam óptimos momentos recordados nesta fantástica festa de Azeitão onde nos revimos 25 anos após o nosso primeiro encontro, mas mais importante foi constatar que a cumplicidade entre nós nos devolve um brilho extenuante no olhar e dos mais doces sorrisos por sabermos que continuamos com vontade de nos superar.
Dançámos todas as músicas que nos transportaram aos anos 80 ; confidenciámos entre tintos de Azeitão e Alentejo e rimos á volta dos sobreiros da casa por onde de vez em quando jogávamos aos policias e ladrões... agora, 25 anos depois.
Á Lisa, Raquel, Lena , Paulo P. , Isabel A. e Carlos Paulo....adorei a ideia de continuar a rir-me convosco!
Um grande bem-haja!!!
A turma era conhecida no liceu como uma turma insubordinada que alguns professores temiam por não nos conseguirem dominar . Enfim, irreverentes e a maior parte deles futuros artistas da nossa praça.
Falar desses momentos áureos do liceu é minimizá-los , pois são sensações quase impossíveis de descrevê-las devido á sua intensidade.
Ficam óptimos momentos recordados nesta fantástica festa de Azeitão onde nos revimos 25 anos após o nosso primeiro encontro, mas mais importante foi constatar que a cumplicidade entre nós nos devolve um brilho extenuante no olhar e dos mais doces sorrisos por sabermos que continuamos com vontade de nos superar.
Dançámos todas as músicas que nos transportaram aos anos 80 ; confidenciámos entre tintos de Azeitão e Alentejo e rimos á volta dos sobreiros da casa por onde de vez em quando jogávamos aos policias e ladrões... agora, 25 anos depois.
Á Lisa, Raquel, Lena , Paulo P. , Isabel A. e Carlos Paulo....adorei a ideia de continuar a rir-me convosco!
Um grande bem-haja!!!
domingo, 5 de setembro de 2010
Good bai que eu good fico
Ainda sinto a tendinite persistente e agravada pelas bolas que atirei para o Jung ter os seus momentos heróicos, embora lentos. A vida de um cão no Verão também é vivida diferentemente.
E, porque a vitamina que recebemos do sol nos faz ter a percepção mais facilitada de felicidade...penso agora nos últimos dias de Verão que já se anunciam com as noticias na TV que já não falam de incêndios nas florestas, mas de outras rentrées; no sol que está mais perto da nossa latitude; nas moscas que já andam atordoadas com as vindimas; na luz que entra pela sala adentro obliquamente; no trânsito que já perturba a paz de uma Lisboa antiga e nas manhãs frescas que tanto gosto de saborear á varanda.
E como estamos mais receptivos á mudança nesta estação , talvez por estarmos literalmente mais despidos de camadas superficiais ao nosso corpo, o balanço vivencial e emocional é sempre positivo:
O Jung só me pediu para lançar a bola 300 vezes;
A Margarida continua a alongar o tempo da refeição ,mas aprendeu a nadar comigo em 10 minutos;
O Paulo passou metade das férias a pensar em trabalho, mas portou-se como uma criança enquanto brincou comigo;
A Claúdia cozinhou o tempo inteiro, repastos dignos de mesas de Deuses para não resistirmos á Gula;
O Verão é mesmo assim: faz-nos sentir bem na perspectiva da manutenção do que temos e capazes de o suportar por mais algum tempo.
E quero manter o sorriso do meu sobrinho;
A frescura das manhãs de Setembro;
Os aplausos para o pôr do sol no bar do peixe;
Os festivais de música rock em grandes espaços ao ar livre;
O meu trabalho que é tão mais compensador quando faz bom tempo;
Uma boa companhia e boa bebida á beira Tejo depois do trabalho;
O sentimento de confiança em si própria da minha irmã;
As gargalhadas da Teresa Albarran;
Os jogos de futebol e de rugby na praia;
A casquinha de Sapateira e cerveja preta depois de um dia de praia;
O calor desenfreador da libido;
A cumplicidade da Sofia M. que se traduz em férias hiper- descontraídas;
O teu odor deixado nas tuas curtas passagens em dias de calor ;
As pessoas que sorriem só porque é Verão;
Os amigos que organizam tantas saídas para podermos falar de tudo e de nada sem pretensões a intelectualismos;
por fim
á fé que tenho, durante esta estação, num futuro radioso mesmo que faça frio.
E, porque a vitamina que recebemos do sol nos faz ter a percepção mais facilitada de felicidade...penso agora nos últimos dias de Verão que já se anunciam com as noticias na TV que já não falam de incêndios nas florestas, mas de outras rentrées; no sol que está mais perto da nossa latitude; nas moscas que já andam atordoadas com as vindimas; na luz que entra pela sala adentro obliquamente; no trânsito que já perturba a paz de uma Lisboa antiga e nas manhãs frescas que tanto gosto de saborear á varanda.
E como estamos mais receptivos á mudança nesta estação , talvez por estarmos literalmente mais despidos de camadas superficiais ao nosso corpo, o balanço vivencial e emocional é sempre positivo:
O Jung só me pediu para lançar a bola 300 vezes;
A Margarida continua a alongar o tempo da refeição ,mas aprendeu a nadar comigo em 10 minutos;
O Paulo passou metade das férias a pensar em trabalho, mas portou-se como uma criança enquanto brincou comigo;
A Claúdia cozinhou o tempo inteiro, repastos dignos de mesas de Deuses para não resistirmos á Gula;
O Verão é mesmo assim: faz-nos sentir bem na perspectiva da manutenção do que temos e capazes de o suportar por mais algum tempo.
E quero manter o sorriso do meu sobrinho;
A frescura das manhãs de Setembro;
Os aplausos para o pôr do sol no bar do peixe;
Os festivais de música rock em grandes espaços ao ar livre;
O meu trabalho que é tão mais compensador quando faz bom tempo;
Uma boa companhia e boa bebida á beira Tejo depois do trabalho;
O sentimento de confiança em si própria da minha irmã;
As gargalhadas da Teresa Albarran;
Os jogos de futebol e de rugby na praia;
A casquinha de Sapateira e cerveja preta depois de um dia de praia;
O calor desenfreador da libido;
A cumplicidade da Sofia M. que se traduz em férias hiper- descontraídas;
O teu odor deixado nas tuas curtas passagens em dias de calor ;
As pessoas que sorriem só porque é Verão;
Os amigos que organizam tantas saídas para podermos falar de tudo e de nada sem pretensões a intelectualismos;
por fim
á fé que tenho, durante esta estação, num futuro radioso mesmo que faça frio.
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